Veja como o crime organizado se infiltrou na produção do etanol e adulterou combustível
A Receita Federal, o Ministério Público e policiais civis, militares e federais apresentaram, nesta quinta-feira (28), ao país, resultados concretos da união de esforços no combate ao crime organizado. E revelaram aos brasileiros como facções como o PCC se infiltraram, pela força, em todos os setores da economia brasileira: na agricultura, na indústria, no comércio e no setor financeiro.
A edição do Jornal Nacional desta quinta-feira (28) começou com a ação de mais de mil agentes públicos, logo cedo, em oito estados da Federação.
Ainda era madrugada, quando parte da força-tarefa se reuniu no prédio da ROTA, da Polícia Militar, na capital paulista. No grupo: Ministério Público de São Paulo, policiais federais, civis e militares, Ministério Público Federal, Receita Federal, Agência Nacional do Petróleo, Secretaria da Fazenda e Planejamento e Procuradoria Geral de São Paulo.
A Operação Carbono Oculto mobilizou 1,4 mil agentes em oito estados, que cumpriram 348 mandados de busca e apreensão. Eles apreenderam computadores e pastas com documentos na zona oeste do Rio de Janeiro, em empresas de armazenagem e distribuição de combustíveis do polo de Senador Canedo, região metropolitana de Goiânia, e no interior de São Paulo.
"Eu compreendo que hoje é o dia da maior ação do poder público brasileiro contra o pilar financeiro do crime organizado no Brasil, não apenas por conta dos valores envolvidos só nessa operação aqui. Nós estamos falando aí de mais de R$ 50 bilhões que foram movimentados pelo crime organizado, não apenas pela complexidade, mas, principalmente, pela coperação entre os órgãos de Estado", disse Robinson Sakiyama Barreirinhas, secretário Especial da Receita Federal do Brasil.
Outras duas operações da Polícia Federal aconteciam ao mesmo tempo. Na Quasar, os agentes cumpriram 12 mandados de busca e apreensão. Na Operação Tank, outros 42 no Paraná, no interior de São Paulo e no Rio de Janeiro. Seis pessoas foram presas. Outras oito estão foragidas.
Entre os foragidos estão Mohamad Hussein Mourad, conhecido como "João", "Primo" ou "Jumbo", e Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco". A Polícia Federal considera os dois os chefes do esquema.
Os alvos nas três operações foram empresas e pessoas físicas envolvidas no esquema de fraudes e de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. As investigações revelaram que, para encobrir o esquema criminoso, o PCC se infiltrou até num dos principais centros financeiros do país, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo.
Policiais apreenderam documentos e computadores em empresas, fintechs e fundos de investimentos, em escritórios da região. As investigações apontam que, por meio das empresas, o PCC conseguia camuflar a origem e o destino do dinheiro.
Entre os crimes investigados estão adulteração de combustíveis, lavagem de dinheiro e sonegação de impostos.
Mega operação contra o crime organizado revela como facções como o PCC se infiltram em setores da economia brasileira
Reprodução/TV Globo