Empresários são presos por envolvimento em plano do PCC para matar promotor em Campinas
Alvo de um plano de execução da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), o promotor Amauri Silveira Filho, do Ministério Público de Campinas (SP), conduziu investigações sobre esquemas de corrupção em contratos públicos e policiais civis envolvidos com tráfico de drogas. Relembre casos de destaque abaixo.
Por conta dessa trajetória, Silveira chegou a receber, em 2013, uma carta com ameaças de morte, informações pessoais, além de fotos da casa dele e de familiares. Um segundo promotor também foi citado na correspondência, que foi digitada e tinha remetente assinado em letras de forma como “chumbo grosso com munições”.
Promotor Amauri Silveira Filho, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público de Campinas (SP).
Helen Sacconi/EPTV
Caso Sanasa
O caso Sanasa veio à tona em maio de 2011, quando 11 pessoas, entre secretários municipais e ex-diretores da autarquia de saneamento de Campinas, foram presas preventivamente em operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
De acordo com o Gaeco, políticos e funcionários públicos recebiam propina para favorecer empresas em contratos da Sanasa. Concorrentes combinavam preços, superfaturavam valores, então, dividiam os lucros.
A suspeita de corrupção em contratos da empresa motivou a abertura de duas comissões processantes na Câmara de Vereadores, em 2011. O então prefeito Hélio de Oliveira Santos foi cassado em agosto, dando lugar ao o vice, Vilagra, que também sofreu impeachment.
Em 23 de novembro de 2012, o juiz iniciou a primeira audiência com os réus, ouvindo Luiz de Aquino, ex-presidente da Sanasa e delator do esquema. Aquino detalhou a participação dos acusados, incluindo a ex-primeira-dama Rosely Nassim Santos, que teria recebido dinheiro.
Em setembro de 2019, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) manteve a condenação de 15 réus por fraudes, corrupção e formação de quadrilha. O ex-vice prefeito Demétrio Vilagra, que havia sido condenado a 13 anos, foi absolvido por insuficiência de provas.
A ex-primeira-dama Rosely teve a pena reduzida de 17 para 14 anos por prescrição de associação criminosa. Outros dois réus tiveram as penas extintas, enquanto 12 tiveram condenações mantidas.
Luiz Aquino, ex-presidente da Sanasa, confirmou em audiência a acusação de fraudes na Prefeitura de Campinas
Isabela Leite/g1
Caso Denarc
Entre 2012 e 2013, Silveira também atuou em investigações contra policiais civis envolvidos com o traficante Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho, preso desde 2002, mas que continuava comandando o tráfico de drogas de dentro do presídio de segurança máxima de Presidente Venceslau (SP).
O esquema incluía 13 policiais civis e 10 traficantes, suspeitos de vazar informações sobre operações, facilitar a venda de drogas e extorquir criminosos. Entre os presos estavam dois delegados do Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc).
Segundo o Gaeco, os policiais recebiam propina anual de até R$ 300 mil cada, além de sequestrar familiares de traficantes para pressionar o pagamento.
Escutas telefônicas obtidas com autorização da Justiça mostraram que Andinho ordenava retaliações contra policiais e comandava o tráfico de dentro da prisão. Os investigados incluíam delegados, investigadores, escrivães e carceireiros, incluindo policiais de Campinas e da capital paulista.
Em 15 de julho de 2013, um sócio de Andinho foi preso em Ribeirão Preto (SP) por suspeita de planejar a morte de promotores do Gaeco.
Em 6 de junho de 2014, as primeiras audiências do processo com 23 réus ocorreram em Campinas, com reforço de segurança devido à presença de Andinho, considerado um dos principais criminosos de São Paulo.
Wanderson Nilton de Paula Lima, o Andinho
Reprodução EPTV
Plano do PCC
Dois empresários foram presos, na manhã desta sexta-feira (29), suspeitos de financiar um plano da facção criminosa para matar o promotor. O mesmo plano também tinha como objetivo assassinar o comandante de uma polícia de São Paulo, que não teve o nome e a função exata divulgados.
Os presos são Maurício Silveira Zambaldi e José Ricardo Ramos, que atuam nos setores de comércio de veículos e transporte. Um deles foi detido no bairro Cambuí, região central de Campinas, e o outro no condomínio Alphaville, na mesma cidade.
De acordo com o MP, o namorado da filha de Maurício também foi apreendido para apurar se houve tentativa de obstrução da justiça, porque a equipe encontrou o celular dele quebrado sobre o telhado de um imóvel vizinho durante a operação.
A operação foi deflagrada pelo Gaeco de Campinas e pelo 1º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep) da metrópole.
A Justiça de Campinas expediu três mandados de prisão, mas o terceiro investigado segue foragido. Segundo o MP, trata-se de Sérgio Luiz de Freitas Filho, o "Mijão", um dos chefes do PCC - leia mais aqui.
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